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Pão branco

1 de abr. de 2024
8 min de leitura

Atualizado: 16 de set.


Um pão considerado simples. E é.

risotto risoto lula camarão

Mas é preciso atenção em processos, temperaturas, porções e tempos. Simples sim, simplório jamais!

IMPORTANTE: Os elementos mais importantes para uma boa panificação, além de ingredientes de boa qualidade, são:

  • processo;

  • quantidade (peso/volume);

  • temperatura;

  • tempo.

Portanto, não pule, adiante ou atrase etapas. Tenha sempre em mãos balança de cozinha, balança de precisão, termômetro culinário, termômetro de forno e cronômetro (tem no seu celular). Respeite tempos e movimentos. Se seu forno já não veio com um termômetro, JAMAIS confie na temperatura que marca no botão dele, nunca é verdade, por mais novo que ele seja. Esse é um dos grandes problemas pelos quais muitas pessoas passam. O assamento dá errado e o serhumaninho não entende pq, mesmo depois de fazer tudo 'certo', deu errado. Se você não tem paciência, isso não é pra você. Ou é! Se você insistir, talvez sua vidinha +ou- fique um pouco melhor. =]

INGREDIENTES

  • 500g de farinha de trigo forte - preferencialmente com 11,5–13% de proteína (W260~W320);

  • 350ml de água;

  • 10g de sal;

  • 5g de açúcar refinado;

  • 2g de fermento biológico seco instantâneo.


PREPARO fermentação em bloco → pré-modelagem → bench rest → modelagem final → fermentação final → scoring → forno.

  1. Faça o poolish.

POOLISH RESUMIDO (Sugestão de 30%)

  • 150g de farinha;

  • 150ml de água;

  • 0,7g de fermento biológico seco instantâneo.


Misture apenas até homogeneizar. Não sove.

Fermentar a aproximadamente 24~26 °C por 4~5 horas.


O poolish está no ponto quando apresenta:

  • grande quantidade de bolhas;

  • aumento expressivo de volume;

  • superfície ainda ligeiramente convexa ou começando a nivelar;

  • estrutura aerada;

  • sem sinais de colapso.

  1. Autólise (Opcional. Se feito no verão, atenção à umidade. Se é a 1ª vez que vc faz, pule essa etapa.)

Misturar separadamente:

350g de farinha

Use 185ml de água dos 350ml restantes e reserve 15ml para utilização posterior na bassinage: 150 + 185 + 15 = 350ml → 70% de hidratação.

Misturar somente até não haver farinha seca e deixe descansar por 25~30'. Não sovar!


Essa etapa é uma autólise verdadeira, sem sal, fermento ou poolish e ela melhora:

  • hidratação da farinha;

  • extensibilidade;

  • desenvolvimento do glúten;

  • capacidade de expansão;

  • formação de alvéolos.

  1. Mistura final

À massa da autólise, adicionar:

  • todo o poolish;

  • 1,3g de fermento biológico seco instantâneo;

  • 5g de açúcar refinado.

Misturar até incorporar e depois adicione 6g de sal.


Começar a desenvolver a massa.

Os 15ml de água restantes devem ser incorporados gradualmente durante a mistura.

Essa incorporação tardia de água é chamada 'bassinage'.

A hidratação final será de 70%.

  1. Desenvolvimento do glúten

Agora é hora daqueles 15 ml de água reservados, eles serão incorporados por bassinage durante o desenvolvimento da massa, conforme o método escolhido abaixo. Coloque mínimas quantidades por vez no caso da batedeira ou , no caso da sova manual, adicione pequenas quantidades nas mãos e só acrescente mais quando a água anterior estiver absorvida. Sovando em uma batedeira KitchenAid*:

  • Com gancho, sove por aproximadamente 3' na velocidade 1.

  • Aumente para a velocidade 2 e deixe sovar por 4~6'.


Sovando a mão:

  • Misture a massa na tigela por 2~3', apertando e dobrando com a mão até ficar homogênea.

  • Transfira a massa para a bancada sem adicionar farinha.

  • Faça slap and fold por aproximadamente 5~8'.


O critério não deve ser o tempo, mas o estado da massa, que deve ter:

  • massa coesa;

  • superfície progressivamente lisa;

  • boa elasticidade;

  • extensibilidade;

  • aderência ainda perceptível;

  • formação de ponto de véu. Mas não é necessário desenvolver um ponto de véu extremo, parte da estrutura será construída posteriormente pelas dobras.


A temperatura desejável da massa ao final é de 24~26°C. Seria bom não ultrapassar aproximadamente 27°C.

  1. Fermentação em bloco

Transfira para um recipiente muito levemente untado e mantenha a 24~26°C, por 2~3 horas.

O tempo é apenas referência.


Dobras

Após 30', 1ª dobra em stretch and fold.

Após mais 30', 2ª dobra em coil fold.

Após mais 30', caso a massa ainda esteja excessivamente relaxada, 3ª dobra em coil fold. Não manipule mais que isso.


Final da fermentação em bloco

Encerrar quando houver aproximadamente 70~80% de aumento de volume, não é necessário dobrar completamente.


Indicadores de que deu certo:

  • massa claramente aerada;

  • superfície levemente convexa;

  • bolhas visíveis nas laterais;

  • boa elasticidade;

  • massa com movimento semelhante a gel quando o recipiente é movimentado.

  1. Pré-modelagem

Atenção:

  • Transfera cuidadosamente para bancada levemente enfarinhada.

  • Não pressione para que retire gás.

  • Não sove novamente.

  • Realize uma pré-modelagem leve em boule (bola) ou bâtard (baquete curta).


Criar apenas tensão superficial, sem pressa e sem forçar, só o suficiente para organizar a massa.

Deixar descansar por 15~20', essa etapa se chama o bench rest.

  1. Modelagem final

Modelar criando tensão superficial sem comprimir excessivamente o interior.

O objetivo é preservar o gás acumulado durante a fermentação. em caso de boule, é o boleamento leve e cuidadoso. Em caso de bâtard, é como bolear só que apenas puxando das laterais para o centro inferior. SEMPRE SUAVEMENTE!

Modelagem muito agressiva produz coisas que você não que, como:

  • miolo mais uniforme;

  • alvéolos menores;

  • menor expansão.

Para o resultado solicitado, o interior deve ser manipulado minimamente.

  1. Fermentação final

Fermentar aproximadamente a 24~26°C por ~60'. Preferencialmente em um banneton.

O ponto deve ser determinado pela massa e não pelo cronômetro. E como vc vai saber?

Pelo Finger-poke test. Pressione a massa delicadamente, aproximadamente 5mm, e se a depressão:

  • desaparecer rapidamente → fermentação insuficiente;

  • retornar lentamente e permanecer parcialmente visível → ponto adequado;

  • permanecer completamente sem reação → provável excesso de fermentação

  1. Pré-aquecimento

Pré-aquecer o forno a 250°C por pelo menos 40~45'.

Preferencialmente com:

  • pedra refratária;

  • baking steel;

  • panela de ferro;

  • ou assadeira pesada já aquecida.

A elevada carga térmica inicial (250ºC) favorece o 'oven spring', que é o crescimento inicial rápido da massa e você quer muito que aconteça.

  1. Scoring (corte superficial da massa)

O corte deve ser feito somente depois da fermentação final e imediatamente antes do forno.

Para o bâtard, faça 1 corte longitudinal. Para o boule use um corte em cruz centralizada ou corte quadrado. Em ambos os casos, cortes com aproximadamente 5~8mm de profundidade, com lâmina inclinada aproximadamente à 30~45°. Mais opções de corte para bâtard e para boule. A dica é ir no simples, não vai achando que você é o da Vinci das padocas que a chance de dar merda é grande.

ATENÇÃO: Não realize os cortes antes da fermentação final.

  1. Assamento

Primeira fase — Expansão

Colocar o pão no forno.

Reduzir imediatamente para 235°C (isso já deve acontecer ao abrir e fechar o forno, depois mantenha).

Asse por 12' com vapor abundante, para isso, coloque um recipiente – que possa ir ao forno obviamente – com 200ml de água fervente no fundo do forno assim que colocar o pão pra assar. O vapor deve existir apenas nessa fase de 12', terminando o tempo, retire o recipiente com a água.


Funções do vapor:

  • retardar o endurecimento da crosta;

  • permitir maior expansão;

  • aumentar oven spring;

  • favorecer gelatinização superficial;

  • melhorar brilho e coloração.


Segunda fase — Formação da crosta

Elimine o vapor.

Reduza para 215~220°C e asse por aproximadamente 18~22 minutos.

O pão deve adquirir coloração castanho-dourada relativamente intensa.


Fase final — Secagem da crosta

Nos últimos 3~5' mantenha o forno seco.

Se possível, abra a porta durante aproximadamente 5~10" no início para liberar umidade acumulada e continuar o assamento, faça, isso favorece uma crosta:

  • mais seca;

  • fina;

  • quebradiça;

  • mais duradouramente crocante.

Não adicione vapor nessa etapa.

  1. Temperatura interna (se aplica apenas se você tiver um termômetro de sonda. JAMAIS corte o pão para medir temperatura interna!)

Temperatura interna alvo 96~98°C no centro do pão.

A temperatura interna deve ser usada junto com a avaliação da coloração da crosta.

Se o pão atingir 97 °C ainda muito claro, pode permanecer alguns minutos adicionais no forno seco.

  1. Resfriamento

Retire imediatamente para uma grade ou recipiente onde a base do pão fique exposto à circulação de ar, como a boca do fogão (desligada evidentemente), por ex.. Não cubra o pão.

Resfrie por no mínimo 60', preferencialmente 75~90'.


Por quê esse processo de resfriamento é importante?

  • redistribuição de umidade;

  • estabilização do amido;

  • consolidação do miolo;

  • secagem adicional da crosta.

Cortar quente prejudica a estrutura interna e pode deixar o miolo aparentemente úmido ou gomoso e, acredite, vc não quer isso.


EXTRAS

PROPORÇÕES DO PADEIRO

100% - Farinha de trigo;

70% - Água

2% - Sal;

1% - Açúcar refinado;

0,4% - Fermento biológico seco instantâneo;

USO DE BANNETON

fermentação em bloco → pré-modelagem → bench rest → modelagem final → banneton → fermentação final → desenformar → scoring → forno


O uso nesse caso é bacana por conta de a massa ter 70% de hidratação e tender a se espalhar mais do que uma massa seca. Ele ajuda a manter altura e tensão até o momento do assamento.

Com tecido: polvilhar o tecido com farinha de arroz ou sêmola.

Sem tecido: polvilhar diretamente o banneton com farinha de arroz ou sêmola. A farinha de arroz é a melhor opção mas, se não tiver, pode usar sêmola ou até a farinha de trigo mesmo, essa última com mais chances de a massa grudar.

A massa deve ficar com a emenda pra cima, parte lisa para baixo, isso é porque quando desenformar o banneton será virado e ela ficará para baixo no assamento.

A massa fermentará dentro do banneton por ~60' a ~25ºC.


Cubra o banneton com ou pano ou touca plástica ou saco plástico grande sem encostar na massa.

O objetivo é impedir ressecamento da superfície.

Na hora de assar, coloque ou um papel manteiga ou manta de teflon ou esteira de pão sobre o banneton, vire e coloque sobre uma superfície de transferência, coloque onde escolheu assar e faça o scoring imediatamente.


Com tecido deixa a superfície do pão mais lisa e uniforme. Sem tecido mantém as formas da espiral do banneton. Acho mais elegante. Dica bacaninha: se vc não tiver um banneton real oficial, use um escorredor circular ou peneira grande com base, revestidos com pano seco e polvilhados como indicado anteriormente. Nesse caso não use sem tecido, a massa pode penetrar nos vãos do escorredor/peneira e, acredite, você não quer que isso aconteça.

USO DE FORNO HOLANDÊS

Isso muda o controle do vapor e o perfil térmico do assamento. Para esse pão, o forno holandês tende a melhorar bastante o oven spring, a abertura do corte e a crosta.

Para a massa da receita atual, com aproximadamente 520 g de massa crua, o procedimento pode ser ajustado assim:


  1. Pré-aquecimento

Coloque o forno holandês vazio, com tampa, dentro do forno ligado.

Pré-aqueça a 250°C por 45~60', o recipiente precisa estar completamente carregado de calor.

Um forno holandês de 4~5L é mais que suficiente para essa quantidade de massa.

  1. Fermentação final

Não muda, a sequência continua:

modelagem final → fermentação final → scoring → forno

A massa pode fermentar em banneton, tigela enfarinhada ou recipiente adequado.

  1. Transferência

Retire cuidadosamente o forno holandês bem quente de dentro do forno ligado e transfira a massa para dentro do forno holandês.

Faça o scoring imediatamente antes de colocar a tampa.

  1. Vapor

Aqui está a principal diferença:

não adicionar água, gelo ou qualquer outra fonte externa de vapor, a própria massa libera água no início do assamento. Com a tampa fechada, esse vapor fica aprisionado ao redor do pão.

Isso cria um ambiente de alta umidade muito mais eficiente do que a maioria dos métodos de vapor em forno doméstico.

  1. Primeira fase - (tampa fechada)

Coloque o pão dentro do forno holandês e tampe. Asse a 240~250°C por 18~20'.

Durante essa fase ocorre principalmente:

  • expansão;

  • oven spring;

  • abertura do scoring;

  • gelatinização superficial;

  • formação inicial da crosta.

Para esse pão pequeno, 18' já podem ser suficientes.

  1. Segunda fase (tampa aberta)

Retire a tampa e reduza para 220~225°C e continue por aproximadamente 15~20'.

Agora o objetivo passa a ser:

  • eliminar umidade;

  • desenvolver Maillard;

  • formar cor;

  • secar a crosta.

Como o pão está dentro de ferro fundido muito quente, a coloração pode ocorrer rapidamente.

  1. Fase final para crosta mais seca

Se a crosta já estiver bem colorida mas ainda não suficientemente seca, asse por mais 5' a 210~220°C, sem tampa.

Também é possível deixar a porta do forno convencional aberta por 5~10" no começo dessa etapa para remover parte da umidade acumulada.

Perfil recomendado para essa receita

Para a fórmula atual de 300 g de farinha:

250°C - pré-aquecimento do forno holandês por 45–60 min

↓

245°C — 18~20' com tampa

↓

220°C — 15~20' sem tampa

↓

97°C internos + crosta bem corada

↓

resfriamento em grade por pelo menos 60' (ideal 90')

O que tende a melhorar

Em comparação com assar diretamente sobre uma pedra ou assadeira em forno doméstico, o forno holandês normalmente proporciona:

  • maior oven spring;

  • expansão mais vertical;

  • scoring mais pronunciado;

  • crosta mais fina inicialmente;

  • melhor formação de bolhas superficiais;

  • coloração mais uniforme;

  • menor dependência de técnicas improvisadas de vapor.

IMPORTANTE: Peso total da massa crua: aproximadamente 867 g.

Farinha recomendada: 11,5–13% de proteína, aproximadamente W260–320.


UM CUIDADO: em forno holandês esmaltado ou caso vá usar uma le creuset como forno holandês, o pré-aquecimento vazio deve respeitar o limite indicado pelo fabricante, porque algumas marcas não recomendam aquecimento a 250ºC. A le creuset, por exemplo, recomenda não pré-aquecer a panela vazia.

* - em outras batedeiras, busque as equivalências.

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